Saúde pública

Atuando há mais de um século na desinfecção das águas, o cloro é uma das principais conquistas da saúde pública. O processo de purificação da água através da filtração e cloração é considerado como um dos 100 fatos que mudaram o mundo e talvez o avanço mais importante do milênio na área de saúde pública. Hoje sabe-se que nos países desenvolvidos esse procedimento é responsável diretamente pelo aumento da expectativa de vida da população em cerca de 50%.

Doenças de veiculação hídrica podem matar, e para preveni-las é preciso que a água esteja corretamente tratada. A cólera, por exemplo, erradicada na América do Sul, ressuscitou em 1991 no Peru onde, por um período, foi interrompida a cloração da água. A epidemia espalhou-se por 19 países, provocou a contaminação de um milhão de pessoas e liquidou cerca de 10 mil vidas humanas. Depois dessa calamidade pública, a água voltou a ser clorada no Peru.

A água também é clorada nos Estados Unidos, onde praticamente não se tem registros de casos de cólera, malária ou outras doenças de veiculação hídrica. O mesmo acontece na Europa, e em qualquer parte do planeta onde o saneamento é levado a sério.

Uma rápida visita ao site da Organização Mundial da Saúde, (http://www.who.int/water_sanitation_health/hygiene/emergencies/envsanfactsheets/en/index1.html) é esclarecedor para quem tiver dúvidas sobre os benefícios do cloro. Ele é recomendado como o desinfetante mais eficiente para todos os tipos de água: uso doméstico, potável, de mananciais, e de poços artesianos.

Não é à toa que a legislação brasileira sobre potabilidade da água, que procura acompanhar as tendências mundiais de qualidade e saúde, e que contou com o auxílio de especialistas na sua elaboração, exige uma quantidade determinada de cloro na água que sai das torneiras. É obrigatório que cada litro de água contenha no mínimo 0,2 mg de cloro. Este residual é necessário para eliminar qualquer contaminação por micro-organismos patogênicos (aqueles que causam doenças) que ocorra na rede de distribuição antes de chegar à torneira do consumidor. Em todo o mundo, é obrigatório uma quantidade residual de cloro ou outro desinfetante na água.

Quando o cloro ou qualquer outro desinfetante age na água, são gerados subprodutos. Alguns desses subprodutos podem ser tóxicos se em concentração elevada. Os teores limites, previstos em legislação, baseiam-se em estudos científicos realizados no mundo inteiro. Os subprodutos gerados pela desinfecção por cloro são estudados há décadas e sabemos o suficiente sobre eles para determinar com segurança quais as quantidades aceitáveis e a partir de quanto eles podem se tornar prejudiciais à saúde.

Cloro é obtido do sal marinho ou de mina, elemento abundante na natureza, e essencial à saúde humana. É utilizado em hospitais para desinfecção das instalações, em entrepostos alimentícios para desinfecção dos alimentos, em residências e indústrias para desinfecção de ambientes e em algumas centenas de produtos que contribuem para a qualidade de vida humana. 85% dos medicamentos têm cloro na sua fórmula ou no seu processo produtivo.